Onde
está o teu Deus? (DO)
Oh!
Deus, onde estás que não respondes? (Castro Alves).
Aqueles que ainda não acharam um
intermediário (profissional religioso da retórica ou outra figura autoproclamada “enviada” ou mais ou menos isso) na terra,
ficam com essa mesma indagação, a procurar o seu deus “até encontra-lo”.
Encontrarão os seus deuses em algum “refúgio” esquemático religioso, senão irão
tratar de “fabrica-los”.
Existem milhares de deuses nas vitrines do mundo. Existe deus para todos os gostos; são
deuses de um barro invisível: fácil de molda-los, vesti-los, manipula-los e
carrega-los para onde quer que se vá. Cada pessoa ajusta o seu deus à sua
maneira, conveniência e necessidade. Muitas vezes, de acordo com o seu próprio
perfil psicológico, expectativas ou desilusões. Um revoltado com as injustiças
sociais, muito provavelmente moldará o seu deus para ser um justiceiro social,
do tipo “comunista”: contra os “impérios capitalistas”, não importando quem
esteja no governo. Para um falido empresário; o seu deus será contra os
governantes corruptos, que só sabem sobre taxar os impostos. Se for um
empresário bem sucedido; será um deus divertido, bem humorado,
bem arrumado, com túnicas de seda pura da Índia; que não se importa muito com
ele, já que está rico! Pra que tanto “grude”? Se for
um pobretão fracassado: não arreda o pé da igreja e seu deus é “grudento”, e lhe fará rico um belo dia. Para os paladinos
da justiça, existe o deus tipo fundamentalista; sanguinário e até amigo dos
terroristas! Será olho por olho, dente por dente. Para aqueles “supersensíveis
humanitários”, tem o deus tipo “paz verde”: não se pode matar uma formiga! Ah!
O meu deus é muito sensível, não faria uma coisa desta! Existem aqueles que se
vangloriam com os seus deuses: ah! O meu deus é bem diferente, não é como o
teu! Existe o deus “nacionalista”: aquele que só protege o país de quem o “adotou”; os outros países formam o “eixo do mal”, menos o
dele. Enfim, cada cabeça; cada classe social, econômica
e cultural; cada país tem o deus que acha que merece. Mesmo entre os “experts” em “teologias”, seus deuses são bem conflitantes: “a escola A, tem essa linha de pensamento,
enquanto a B...”. “Eu sou da linha de doutrina X, e sigo o fundador fulano”.
“Nossa igreja é assim e assado”. Existe também o deus dos “sem igreja”: não sou
de nenhuma; desisti de igrejas, não vale a pena; não me importo com “placas denominacionais”. E o deus dos incrédulos? Bem, deus não
existe, estou convicto disso, senão o mundo não seria assim e assado... É o
deus que “não pode existir!”. E o deus de alguns “Ministros da Palavra?” É
aquele que defende suas mordomias de dentro da igreja; somente eles podem levar
vantagens financeiras sobre os demais; ao contrário do que ocorria na Igreja
primitiva, onde as ofertas sagradas eram distribuídas democraticamente.
Os deuses das denominações são os mais
concorrentes hoje em dia. A disputa é acirrada e lei da oferta e procura impera
no mercado religioso: Quem quiser riqueza imediata e fácil, deve procurar
aquela igreja aderente à tão propalada “teologia da prosperidade”: é chegar, se
inscrever numa determinada campanha; desprover dos bens que possui,
principalmente os melhores, entregar para o “pastor” e esperar o dinheiro cair
do céu! Além das campanhas, existem outros “produtos”, como: danças, bandas,
eventos, feiras de livros, CD’s, cassetes, filmes
(religiosos, claro), procissões, santinhos milagreiros, água do mar morto
(benta), cavacos da cruz (se ainda existe), sudários, fogueiras santas,
exorcismos, promessas de curas, orações dos “poderosos homens de deus”, etc.
No livro de Gálatas
5:6, Está escrito: Porque em Jesus Cristo nem a circuncisão nem a incircuncisão tem
valor algum; mas sim a fé que opera pelo amor. O que vem a ser
circuncisão e incircuncisão, a não ser preceitos,
doutrinas, dogmas e normas religiosas? Circuncisão, nesse contexto, representa
uma lei religiosa do velho testamento que alguns dos Gálatas quiseram implantar
na igreja de Cristo. Incircuncisão é a rejeição desse
preceito na Igreja. Nenhuma coisa nem outra têm valor algum para Jesus. O que
importa é “a fé que opera pelo amor”. Isso envolve alguma coisa que toca na
reformulação do âmago pessoal, que vai ser o referencial por toda a vida da
pessoa. É uma experiência individual, íntima entre alguém e Deus, sem
interferência de ninguém! A escala de valores de Cristo, não inclui os partidos
religiosos com suas invenções! Para Ele, isso não têm valor algum. O
ajuntamento tem sim, sua importância, mas não somos obrigados a aceitar coisas
que são “além da Palavra”, ou aquilo que Cristo não queria nos
dizer.
No livro de II
Coríntios 3:18, diz: Mas todos nós, com rosto
descoberto, refletindo como um espelho a glória do
Senhor, somos transformados de glória em
glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor. Noutro lugar,
em Romanos
8:29 diz: Portanto aos que de antemão conheceu,
também os predestinou para serem
conformes à imagem de seu Filho, a fim de que Ele (Cristo) seja o primogênito entre muitos
irmãos (nós).
Olhando para esses trechos,
aparentemente, em Deus existem dois desejos que poucas pessoas atinam: no
primeiro, Ele não quer que fiquemos parados, escorados numa “religião”, ouvindo
somente aquele sermão semanal de uma só pessoa (que o faz muitas vezes por
obrigação profissional), dependendo da fé, experiência (ou enganação)
dos outros. Aprendemos a cuidar das coisas espirituais por procuração!
Delegamos sempre um intermediário pago por nós, para interceder e amenizar
nossas culpas diante de Deus. Os sermões parece que
abrandam o “furor” de Deus a cada semana da nossa vida! Deus não nos projetou essa vida de ficar somente esperando a Sua boa
vontade de nos satisfazer, favorecer ou suprir em tudo o que queremos e nos
socorrer a todo tempo, nas mais variadas “tragédias” que nossa mente produz; na
posição de inúteis, e incompetentes; mendigos sem nenhuma função, a não ser a
de ficar a pedir e pedir. Tudo o que nos acontece de ruim,
é culpa dEle; as coisas boas... bem, para que incomodá-lo?
No segundo desejo (de Deus), Ele quer que sejamos auto-suficientes em Seu
filho, ou melhor: semelhantes, conforme a imagem de Cristo. Quer simplesmente
que sejamos apenas cristãos, ou “pequenos cristos”. “Quer nossa transformação
evolutiva e gradativa, para refletirmos a glória de
Seu filho”, porque “somos predestinados para ser conforme a imagem de Cristo” e
Ele (Deus), quer que Cristo seja nosso irmão mais velho, para estarmos no mesmo
patamar dEle. Esse é o nosso alvo; isso é um processo
por toda a vida! Na linguagem de nossos dias, é andar com as nossas próprias
pernas; nós e Cristo. Temos de ser, tal como Cristo é, independendo
do nosso momento: bom ou ruim, rico ou pobre, feliz ou infeliz, com saúde ou doente.
Em Efésios
3:20 diz: Ora, àquele que é poderoso para fazer
tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o
poder que em nós opera. Em I
João 5:15 diz: e, se sabemos que nos ouve em tudo
o que pedimos, sabemos que alcançamos as petições que lhe fizemos.
As pessoas incumbidas de “apresentar” o
Deus verdadeiro - os líderes religiosos – têm
fracassado de várias maneiras, porque eles próprios não conseguiram entendê-Lo. Acredito que muitos deles têm boas intenções,
mas estão iludidos; muitos estão nessa posição confortável e não abrem mão de
suas “faturas”: o fim justifica os meios. Seus deuses
são muito emblemáticos! Inventam vários tipos de estratégias. Não acreditam
numa só palavra que pregam, porque seus sermões são de acordo com seus desejos
e não com os de Deus. Isso só nos faz ficar cada vez mais confusos também.
Na verdade - na
minha opinião - temos muito pouco de Deus (em matéria de pesquisa e de
história). Temos muitas histórias contadas por homens pecadores; de numa época
remota, em que os valores fundamentais da vida,
costumes, moral, tradição, cultura, religião, região, clima etc. eram muito
diferentes dos nossos. Seus documentos foram copiados e traduzidos
diversas vezes, em diversos idiomas, de maneira que temos a cópia da
cópia da cópia... Existem muitas promessas e preceitos dados a um povo
específico, que não podemos tomá-los para nós, simplesmente porque não somos
judeus! Muitos espertos querem nos entregar essas promessas, à base de trocas,
mas sabemos que Jesus é nossa única e bastante promessa. Ele disse uma vez, que
erramos muitas vezes, porque não conhecemos melhor, as Escrituras e isso é a
causa principal de muita enganação. As pessoas não
querem saber de estudar melhor as Escrituras e ler bons livros espirituais.
Preferem e gostam de ser enganadas.
Hoje, é também um tempo em que Deus
quase não se manifesta (em termos de sinais e prodígios). Não caminhamos com
Cristo, quando estava em carne na terra! Já naquela época, a credencial
principal para ser apóstolo (um mensageiro da Palavra), era a de ter caminhado
com o Mestre, ou seja, dava-se muito valor a quem era testemunha ocular de Seus
passos. Qual seria a principal credencial para escolhermos quem de melhor
poderia nos ensinar ou mostrar Cristo e Deus? Aquela exigência; não poderemos
ter, pois já se passaram quase dois mil anos! Que faremos com a nossa fé, e
sede de Deus, em meio a tantas dificuldades? Valorizo muito aquele versículo,
em João
20:29 Disse-lhe
Jesus: Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram.
Realmente deve ser muito bem aventurado crer nesse
tempo; porque não vimos nada do que Cristo fez e quase nada do que os “crentes”
fazem. Será que dizem aquilo que podemos levar a sério? Tenho, pelo menos certa
razão em dizer isto, se olharmos para o que o apóstolo Paulo disse, já no seu
tempo em I
Coríntios 1:21: Visto como na sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus
pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação.
Veja, Paulo considerava a pregação do evangelho, loucura, em sua época! Imagine
agora, passados quase dois milênios?
David de Oliveira Março de 2005