Deus salve a América ! (AA)
“Deus salve a América!
...” Este slogan -
veemente apelo “patriótico” e “nacionalista”
- é pública e frequentemente proferido pelos dirigentes americanos quando surge
algo que lhes não corre de feição ou se encontram perante um perigo iminente
ou, então, já consumado, como no caso do ataque às torres do World Trade
Center, símbolo do grande capital controlador do poder político e económico em
todo o mundo. (Sempre que nos referirmos
a “americanos”, entenda-se os Estados Unidos da América)
“Deus salve a América!” ..., gritam, porque está a ser vítima de atentados
“terroristas” que põem em causa a integridade da “mais perfeita democracia”(?)
planetária, representativa da
“civilização ocidental”! E fazem-no com uma precisão e perfeição tais
que, através da sua “máquina” de propaganda e divulgação mediática,
particularmente através dos canais televisivos que acto continuo
e prolongadamente “bombardeiam” todo o mundo com as fantásticas imagens das
torres em chamas, conseguem sensibilizar e chamar para o seu lado a grande
parte dos governantes (não o povo) mundiais.
Os governantes porque,
voluntária ou involuntariamente, eles têm de se subordinar à globalização da economia, também para
poderem usufruir das suas benesses, e à vontade dos senhores que comandam o
mundo da política, e o poder militar, porque, quem o não fizer, sofrerá as
consequências! ... Não o povo, porque esse é vítima
dessa globalização e da desenfreada exploração do grande capital!
E assim, os americanos e
seus aliados, conseguiram o “aval” da maioria dos governantes do planeta para
acabarem de destruir um país paupérrimo, miserável e já tão depauperado por uma
guerra de décadas que os fabricantes de armas e seu mercado negro têm vindo a alimentar. Aqui e noutros lados. E
imediatamente accionaram e puseram em movimento a sua infernal “máquina de
guerra” estrategicamente dispersa pelos quatro cantos do mundo para acabarem de
vez com o problema, destruindo um país pobre (que é também um pobre país) e
massacrando um povo miserável - a única vítima no meio
de tudo isto, porque também vítima dos seus governantes, quer do passado quer
actuais e, possivelmente, até do futuro (sejam eles “taliban”, “aliança do
Norte” ou quaisquer outros!). Porque, aquele povo, à semelhança do que tem
acontecido com outros povos, nunca mais será senhor de si mesmo, do seu próprio
destino, do seu país! Passará a estar sempre sob o controle do poder americano!
Os americanos terão ainda
aproveitado, como é seu hábito, para testar novas armas de destruição massiva,
fazendo grande alarde dessa desumana “façanha” com a
divulgação constante das imagens destruidoras e aterradoras do lançamento pelos
V 52 dessas armas terrivelmente mortíferas, para gáudio dos seus autores, e de
muitos outros insensatos que os apoiam, todos eles completamente despidos de
humanismo e insensíveis à vida! E
dizem-se defensores da chamada civilização (ou barbárie?) ocidental! E falam em
Deus, e invocam o Seu Nome, mas Deus não pode aceitar nem aprovar estes actos
de vingança, de terror, de desumanidade! E arrogam-se o nome de cristãos, mas
os seus actos desmentem-no categoricamente, porque, ser cristão, é seguir o
exemplo de Cristo: é ser humilde, não arrogante; é ser pacificador, não
vingativo e promotor da guerra; é amar o seu semelhante como a si mesmo, não
odiá-lo; é perdoar, não condenar; é amar a vida (a sua e a dos outros), não
destruí-la; é, enfim, viver uma vida de fraternidade e solidariedade com
todos os homens
(cf Mateus
5:3/10; Mateus
6:12/15; Mateus
18:21/22; Mateus
22:39; I
Coríntios 13:1/13).
Dizem esses senhores da
guerra que esta é uma “guerra contra o terrorismo”, como muito pomposamente e
de modo contínuo o transmitem os canais televisivos ao seu serviço, incluindo a
RTP - Rádio Televisão Portuguesa, uma televisão paga
principalmente pelo povo para
prestar um serviço público a todos os portugueses, e não para fazer propaganda
e beneficiar apenas alguns que nem sequer são portugueses. Em vez de denunciar
as suas atrocidades!
Mas, qual “guerra ao
terrorismo”? Não, não é guerra ao terrorismo, é antes uma guerra de destruição
pura e simples de um país miseravelmente pobre e das suas poucas e débeis estruturas. E porquê? Certamente porque se trata de um ponto
estratégico muito importante para os interesses americanos. E, claro, para o
capitalismo ocidental. Talvez pelo facto de o Afeganistão se encontrar no
“corredor petrolífero” que vai do Golfo Pérsico ao Mar Negro, e o não controle
desta área, um dos “grãos de areia” que fazia emperrar a engrenagem da sua
máquina dominadora, dificultava o seu funcionamento. Por isso, para poderem ter
um controle absoluto de toda aquela zona, esse grão de areia tinha de ser
esmagado, pulverizado! Definitivamente! Porque os “taliban”, que anteriormente
haviam sido apoiados pelos americanos contra a Rússia (queriam vê-la fora
dali), não estavam agora a colaborar na defesa dos seus interesses. Portanto,
há que “removê-los”, a bem ou a mal. Claro que teve de ser a mal!
É caso para perguntar: -
Quem se lhe seguirá? O Irão? O Iraque? A Líbia? A Índia, porque não alinha com
os americanos e ainda por causa do conflito em Caxemira com o Paquistão, cujo
actual presidente é um servo fiel dos americanos? ... O tempo o dirá.
Esperemos, para ver!
Como ia dizendo, é claro que
tiveram de “remover os “taliban” a mal. Mas, tê-lo-ão conseguido?
Definitivamente? É uma incógnita, uma interrogação (!?).
Uma coisa,
porém, conseguiram: a fuga desordenada do povo afegão tentando livrar-se dos
bombardeamentos americanos, fugir a esse terror que desabava sobre ele de modo
avassalador!
A propósito e pouco tempo
depois do início dos bombardeamentos americanos ao Afeganistão, numa entrevista
ao canal 2 da RTP, ouvi o presidente da AMI (Assistência Médica Internacional)
dizer que aquilo que se estava a passar naquele país era terrível e de
dimensões catastróficas e inimagináveis! Milhões de afegãos estavam a fugir dos
bombardeamentos e dirigiam-se para as fronteiras, entretanto encerradas. Muitos
deles, porém, dificilmente as alcançariam, não só pelas dificuldades no
percurso, mas também pela falta de alimentos, água e medicamentos. Talvez mais
de um milhão de pessoas (crianças e velhos, essencialmente, mas não só)
acabariam por morrer vítimas da fome e das epidemias. Tudo ainda agravado pelo
rigor habitual do Inverno prestes a chegar e que acabará por dizimar também
grande número desses fugitivos.
Ora, alguém tem de ser
responsabilizado pelo genocídio que está a ser perpetrado contra este povo! A
História não pode deixá-lo passar em claro! São milhares ou mesmo milhões de
afegãos inocentes que vão morrer de fome, de doenças epidémicas e de frio, por
causa desta guerra terrível, desumana, e que serve apenas para inflar o ego do
poderio militar americano, insensível à vida e miséria alheias.
Quem se condói desta gente?
Quem faz chegar às televisões por esse mundo fora as imagens dolorosas dessas
crianças e velhos, mas não só, a agonizar lentamente até à morte por inanição
ou falta de assistência médica e medicamentosa?
Na verdade, quem sofre as
consequências da loucura dos homens são, regra geral, os inocentes - velhos e crianças acima de tudo cuja vida é ignorada pelos
que detêm o poder, seja ele político, económico ou muitas vezes até religioso!
Porque a sede de domínio, de poder, de dinheiro cega os homens. Encerra-os na
concha do seu egoísmo, da ambição, da ganância, não os deixando enxergar mais
nada à sua volta. É por isso que os fundamentalismos só vêem poder e domínio; e
o grande capital, além de poder e domínio, vê somente cifras, e esquece que os bens que acumula fá-lo muitas vezes à custa das lágrimas,
suor e sangue daqueles que explora até à exaustão!
Mas, para esses, a vida dos outros, a
vida dos explorados, não conta! Não são considerados seres humanos;
simplesmente são tidos como meros “objectos” que eles usam a seu bel-prazer.
Daí tanta miséria, tanta fome que vitima diariamente milhões de pessoas,
principalmente crianças e velhos! Os milhões que os americanos e seus aliados
gastam nesta guerra desumana, destruidora (e em muitas outras que vão
sustentando), dava para alimentar praticamente toda essa gente e contribuiria
para minorar e atenuar
tanta miséria, tanto sofrimento que grassa por esse mundo fora.
Mas a miséria e o sofrimento alheios são-lhes indiferentes! Absolutamente
indiferentes!
Vem a propósito citar um
artigo saído no jornal “Público”, em
19/11/2001, da autoria do seu jornalista Paulo Moura, em Khoja Bahauddin (Norte
do Afeganistão): “O repórter lembra uma
frase de sua última entrevista: “O mundo
comoveu-se com as imagens poderosas, transmitidas continuamente, do ataque a
Nova Iorque. Mas se fosse possível mostrar na televisão, na CNN, as imagens
contínuas de uma criança a morrer de fome ... Do
princípio ao fim, durante meses, toda a agonia de uma entre os muitos milhares
que morrem diariamente ...”. Quem disse isto foi
Camilo Mortágua, ...
... E também: “Se transpusermos
o que se passa hoje para o tempo de Cristo ... Quem
seria o imperador romano e quem seriam os mártires cristãos, os que diziam, no
circo, Avé César, vamos morrer, comidos pelos leões, felizes, porque morremos
pela nossa fé ...”? E, tentando explicar as
motivações subjectivas e profundas, a fenomenologia do acto terrorista disse
ainda esta frase banal, evidente, e no entanto extraordinária: “Os terroristas também são seres humanos”.
Citei esta parte do artigo
inserido no “Público” porque creio conter matéria que deve merecer toda a nossa
atenção e uma profunda reflexão. A começar pelos americanos. Trata-se de um
assunto que analisado seriamente e sem parcialidade talvez nos leve à génese de
tantos males, tanto sofrimento, tanta miséria, e talvez nos conduza até às
origens do terrorismo!
Claro que o terrorismo é
condenável. Isso está fora de questão. Mas não são também condenáveis os actos
de terror praticados pelos americanos, eles que se dizem defensores da paz, da
democracia, da civilização? (Civilização ocidental, claro, porque os povos não
ocidentais são, para eles, considerados “bárbaros”! Embora oriundos de
civilizações milenares muito mais antigas que a dita civilização ocidental. E
talvez mais humanistas!)
“Deus salve a América!”, gritam os americanos! Mas qual deus? O Deus
do Universo, o Criador de todos os povos, o Deus da Vida, da justiça, da paz, do amor, da fraternidade, da
solidariedade para com todos os homens? Ou o deus da guerra, da injustiça, da
intolerância, da destruição, da morte, da arrogância, da ganância, do poder, do
domínio, enfim, o “deus-cifrões”?
“Deus salve a América!”, gritam ...
E quem salva aquele povo afegão
do terror que o poder americano e seus aliados fizeram e continuam a fazer
desabar sobre ele?
E quem salva todos esses
povos e países do Terceiro Mundo (ou talvez do Quarto ou do Quinto mundos,
Afeganistão incluído) vítimas da permanente e desenfreada exploração do grande
capital que, apoiado pelo poder americano, lhes suga as riquezas naturais - as
matérias-primas – e, depois, lhes vende os produtos por preços proibitivos e a
que somente alguns têm acesso (os senhores instalados no poder), deixando o
povo na miséria e a morrer de fome? E,
como se isso não bastasse, vendem-lhes ainda armas para se destruírem uns aos
outros, a fim de alimentar essa “casta” diabólica - os fabricantes de armas e o
seu mercado negro - que, segundo as
estatísticas, constitui o segundo negócio mundial mais volumoso e mais rendoso,
depois do negócio da droga. Se é que não está já em primeiro lugar!
Angola, por exemplo, é um
caso paradigmático. Os acordos de cessar-fogo, assim como as sanções impostas
pela própria ONU, são inúteis, porque simplesmente ignorados! Porque os
senhores da guerra assim o entendem! Porque a instabilidade lhes convém! E
assim vive Angola mergulhada numa guerra de quase meio século! Primeiro,
imposta pelo colonialismo e por um regime fascista que lhe recusava a liberdade
de ser povo; depois, numa guerra fratricida promovida por interesses exteriores
ao povo e alimentada por essa máquina infernal que é a produção de armamento e
o seu mercado negro!
Mas porquê? Por que não se
põe um fim definitivo a essa guerra tão sangrenta e devastadora, que já dizimou
muitas centenas de milhar de pessoas e deixou um número infinitamente maior de
crianças órfãs e de estropiados? Simplesmente porque, além de ponto estratégico
naquela zona de África, Angola é também um país imensamente rico em
matérias-primas; simplesmente porque o
mundo dos negócios escuros (mercado negro de armamentos) e os interesses do
grande capital se sobrepõem aos interesses do povo angolano, do seu bem-estar!
E é simplesmente por isso que, num país potencialmente tão rico como é Angola,
o povo (não os governantes) vive na miséria e muito dele morre de fome!
Antigamente, dizia-se que o
comunismo soviético era a raiz de todos os males, de todos os conflitos que
afectavam a humanidade. Mas há muito que ele ruiu e os conflitos recrudesceram,
em número e intensidade! Afinal, agora de quem é a culpa? Ora, pois claro: é do
fundamentalismo islâmico! É isso mesmo, já me esquecia!
Mas, se, criteriosa e
honestamente, reflectirmos um pouco sobre o que se passa no mundo dos nossos
dias, facilmente descobriremos as verdadeiras causas de tantos conflitos e
tanta miséria! Não nos deixemos “levar” pela demagógica propaganda mediática,
essa “máquina trituradora” de consciências que influencia os espíritos incautos
e menos avisados. Não nos esqueçamos que esses meios de propaganda estão ao
serviço dos seus donos (o grande capital) e apenas transmitem o que lhes
interessa e lhes convém. Veja-se, por exemplo, as imagens dos “sacos de
alimentos”(?) apenas com a marca USA e o
símbolo americano (bandeira), impostas aos telespectadores de todo o mundo!
Então e as contribuições da Europa e do resto do mundo, incluindo o Crescente
Vermelho? Por que não foram filmadas e mostradas ao mundo? Simplesmente porque
não convinha aos americanos. Era preciso impressionar o mundo, fazer crer que
eles é que são os “bonzinhos”! Eles é que “alimentam” aquele povo faminto! Para
atenuar, aos olhos do mundo, a onda avassaladora, assassina, destruidora, dos
seus bombardeamentos arrasando e pulverizando tudo onde as bombas eram
lançadas. Nem as instalações das organizações humanitárias internacionais (da
própria ONU), onde armazenavam alimentos, foram poupadas! Claro que por engano
... mas por três vezes! Que humanos que eles eram! Que humanos que eles são!
Depois de um século
verdadeiramente catastrófico em perda de vidas humanas ceifadas pelas guerras,
e em termos sociais em que se agigantou o fosso entre a extrema riqueza e a
extrema pobreza, depositei grandes esperanças neste novel século. Queria
acreditar no bom senso e na bondade dos homens que, neste virar de página de
século e de milénio, seriam capazes de encetar uma nova caminhada no sentido da
paz universal, num ambiente verdadeiramente fraterno e solidário, e no da
preservação de toda a Criação. Afinal, estava completamente enganado!
A minha primeira grande
frustração deu-se quando foi eleito o actual presidente americano. Na altura,
disse textualmente à minha mulher: “Oxalá
eu me engane, mas a eleição deste presidente americano foi a pior coisa que
podia acontecer à humanidade”.
Esta eleição e a eleição do
actual primeiro-ministro israelita, apoiado inteiramente pelos americanos,
constituem os dois acontecimentos negativamente mais marcantes da História
actual da humanidade. Certamente com reflexos no futuro, de consequências
imprevisíveis! Os factos já falam por si e aí estão a atestá-lo. Não sabemos
que caminho tomarão e até onde irão! Apenas sabemos que não nos auguram nada de
bom!
A aliança do poder
económico-político-militar americano, de que o actual presidente é servo
fidelíssimo, já tem o mundo a seus pés! Instalou-se estrategicamente por todo o
lado com vista a um domínio absoluto, que praticamente já alcançou, exercendo-o
a seu bel-prazer. Até o velho Continente, a velha Europa, lhe está já
inteiramente subordinada! E, se não reagir entretanto, é o seu colapso total em
termos de autonomia.
Há pouco mais de um mês,
ouvi numa entrevista à TSF o director de uma Revista francesa de Actualidade,
cujos nomes (director e revista) não fixei, dizer, a propósito da hegemonia
americana, que os americanos “não podem ser sozinhos os donos do mundo”. A
Europa tem de reagir e impor-se, sob pena de ficar completamente subordinada e
dominada pelo poder americano, de que dificilmente depois se libertará. É um
desequilíbrio muito perigoso para a humanidade!
Creio no entanto que a
Europa já está de tal modo dominada, que lhe restam poucas hipóteses de poder
libertar-se. Deixou-se enredar completamente e até passou a “afinar pelo mesmo
diapasão” dos americanos!
E assim, os americanos, até
se dão ao luxo de não assinar acordos para a melhoria e estabilidade do
ecossistema, sobre armas nucleares e desarmamento, sobre a produção de armas
químicas, sobre racismo e xenofobia, etc, etc, etc. Tal atitude seria crime
contra a humanidade, se fossem outros a fazê-lo! Mas, como eles são os senhores
absolutos, os “Todo-Poderosos”, tudo se permitem e lhes é permitido. Por isso,
fazem o que querem, como querem, onde querem e quando querem! E ninguém “se
atravesse no seu caminho”, porque, quem o fizer, sofrerá as consequências,
pagará bem caro a sua veleidade! Com a própria vida, se for renitente e
persistir na desobediência!
Parece que o Homem tem a
memória muito curta! Não se lembra já de Hiroshima e Nagasaki, onde centenas de
milhar de pessoas morreram e, passado mais de meio século, os habitantes
daqueles cidades, e não só, ainda sofrem as sequelas da radioactividade
libertada pelas bombas atómicas americanas!
Quem se lembra já, apesar de
se tratar de um passado mais recente, dos efeitos dos bombardeamentos
americanos ao Iraque, com a utilização de armas que dizimaram iraquianos e os
próprios soldados americanos, por libertação de radiação e gases? E quem se
lembra dos Balcãs, cuja intervenção foi feita à revelia da própria ONU?
Eles têm o mundo a seus pés!
E, quando surgem obstáculos que dificultam a sua acção na defesa dos seus
interesses, promovem indirectamente os conflitos e aparecem depois como
“salvadores”, como “pacificadores”, como os “senhores do bem”, exibindo o seu
“paternalismo” hipócrita com que enganam os incautos e tentam enganar todo o
mundo. Depois, instalam-se aí, e acabou-se! E quem não aderir à “causa”, à sua estratégia,
já sabe o que o espera! E assim vai caminhando este “mundo maravilhoso”
militarmente comandado e “pacificado” pelo país “modelo” e “símbolo” da
democracia, da paz, da civilização!
Até quando o mundo sofredor
vai tolerar esta arrogância americana? Até quando vai o mundo permitir que o
grande capital, apoiado no poder político-militar americano que ele próprio
controla, continue a exploração desenfreada do Terceiro Mundo onde tanta gente
morre de fome, de doenças epidémicas e por falta de assistência médica e
medicamentosa? Mas, a esses horrores, são completamente insensíveis o grande
capital e o poder americano!
Até quando vai o mundo
permitir que Israel, com o apoio americano, continue a negar um cantinho na
Palestina onde os palestinianos possam viver em paz naquilo que é seu, na sua
própria terra? Se este conflito no Médio Oriente fosse resolvido, isso não
constituiria um dos passos mais importantes para o estabelecimento da paz no
planeta? Não tenho dúvidas a esse respeito. Mas, para isso, era necessário que
não houvesse outros interesses em jogo. Porque, assim como os americanos foram
tão lestos na “pacificação” do Afeganistão, destruindo-o “enquanto o Diabo
esfrega um olho”, também pacificariam, sem qualquer dificuldade, o conflito
israelo-palestiniano. Assim, o quisessem. Todavia, parece que este conflito
lhes convém! Até quando isto vai ser tolerado?
Até quando a Europa, que se
reclama portadora de uma civilização democrática e humanista, vai continuar a
subordinar-se e a apoiar o poder americano na desestabilização e no terror que
vai semeando um pouco por todo o lado, para impor o seu domínio e salvaguardar
os seus interesses (os interesses do grande capital, claro), ainda que à custa
do sacrifício e muita vezes da própria vida dos povos onde se vai instalando?
Até quando a Europa, que se diz defensora da civilização cristã, vai continuar
a permitir e a colaborar no aprofundamento do fosso que separa a extrema
riqueza de uns poucos da extrema pobreza de muitos milhões de seres humanos?
Porque os pobres, os famintos, os miseráveis também são seres humanos! Eles
também são filhos de Deus, embora sejam olhados e tratados como meros
“objectos” pelos grandes senhores que dominam o mundo! Até quando, Senhor?
Até quando as igrejas
cristãs, particularmente as que se dizem “evangélicas”, permanecerão mudas
perante tamanhas injustiças praticadas pelos americanos em estreita colaboração
com o grande capital, contra os países pobres? Até quando a sua dependência e
fidelidade ao poder, ao capital (por conveniência, claro), em vez da sua
fidelidade a Cristo e ao seu Evangelho? Cristo sempre esteve do lados dos
pobres, dos mais fracos, dos carenciados, dos marginalizados, protestando
contra as injustiças de que eram vítimas!
Até quando o próprio povo
americano, cristão na sua maioria, vai permitir que o poder instalado continue
no pedestal da sua arrogância, impondo ao mundo pela força as suas regras, as
suas normas, de acordo apenas com os interesses do grande capital e não dos
povos?
E dizem-se “pacificadores”!
Que tipo de “pacificadores”, quando simplesmente impõem a sua vontade pela
força e pela violência? Ao lançarem essas bombas terrivelmente destruidoras
estão a pacificar ou simplesmente a aterrorizar, a destruir, a matar? Onde está
a humildade cristã, a tolerância, o perdão, uma vez que se dizem cristãos?
Porquê querer dominar e abarcar o mundo todo só para si?
A todo aquele que, no seu
egoísmo e ignorando a miséria e sofrimento alheios, ajunta pensando somente em
si, Jesus diz-lhe: “Louco, esta noite vais morrer e o que tens preparado (ou
ajuntado, ou acumulado) para quem será?”
Lucas
12:20.
Se os americanos continuarem
nesta senda, nesta infernal escalada belicista, aterrorizando tudo e todos para
imporem o seu domínio universal e absoluto, receio bem que tenham um fim pouco
invejável.
Certamente alguém se
levantará e lhes dirá: - Basta!, com o
apoio do mundo verdadeiramente livre e daqueles que desejam libertar-se das
garras desses desumanos exploradores e opressores. Porque, se o grande capital,
apoiado pelo poder político-militar americano, continuar na sua escalada de
exploração desenfreada dos povos do Terceiro Mundo, os muitos milhões de
famintos levantar-se-ão contra esses exploradores e opressores, contra as suas
injustiças, porque já não têm nada a perder. Nem a própria vida! É que eles já
não vivem, apenas vegetam, numa agonia constante até à morte!
Seria bom que os americanos,
e não só, tivessem o bom senso de parar por um pouco de tempo e reflectissem
sobre o mal que causam ao mundo! Não lhes digo que não pensem em si; mas pensem
também um pouco nos outros, no sofrimento e miséria alheios. Porque todo o ser
humano tem direito à vida, uma vida com
dignidade, como refere a Carta das Nações Unidas sobre os Direitos do
Homem. Vida essa que os donos do mundo, os senhores da guerra, os
“Todo-Poderosos”, persistem em negar à grande maioria dos povos! Até quando,
Senhor?!
“Deus salve a América!” ...
Sim, Deus salve a América.
Deus salve o povo americano. Mas salve igualmente, ou principalmente, todos os outros povos vítimas da escravização, exploração e
opressão do poder americano comandado pelo grande capital!
Para finalizar, apenas esta
nota: - Se com este texto ou artigo de opinião, fiz enfurecer alguém, mas
também fiz sorrir muita gente,
cumpri o meu dever e alcancei o meu objectivo: o de levar as pessoas a pensar,
a reflectir sobre os momentosos problemas mundiais que se agigantam, e sobre a
instabilidade que se vive um pouco por todo o lado, impedindo a paz entre os
homens e o bem-estar da humanidade! Mas, o meu principal desejo (que é também a
minha principal preocupação), é chamar a nossa particular atenção para a miséria,
para a fome que vitima milhões e milhões
de pessoas inocentes, essencialmente crianças e velhos, enquanto que se
esbanja muitos milhões de contos em coisas fúteis, prescindíveis e perecíveis,
e se gasta outro tanto e ainda mais a fazer a guerra, a matar, a destruir!
Arménio Anjo
Dezembro de 2001