Aquele
irmão safado (OC)
Jesus contou muitas estórias
para, através delas, ilustrar e tornar mais claros os Seus ensinos. Uma das
mais conhecidas é a chamada parábola do
filho pródigo (título que não vem no original e é, portanto, arbitrário).
Ora, nesta estória, Jesus destaca um tema. Esse tema
é a ALEGRIA. Aliás, esta é a última de uma série de três estórias
sobre este mesmo tema. As anteriores são as da ovelha e da
moeda perdidas. Assim lemos já, em Lucas 15:10 Assim vos digo que há alegria,
diante dos anjos de Deus, por um pecador que se arrepende.
Nesta estória, a do filho
perdido, que é bem conhecida, como já referi, e me escuso de descrevê-la,
quando aquele jovem arrependido voltou ao lar, o pai recebeu-o de braços
abertos: vestiu-o, calçou-o, deu-lhe um anel e disse: ...
e trazei o bezerro cevado e matai-o; e comamos e alegremo-nos; porque este meu filho
estava morto e reviveu, tinha-se perdido e foi achado. E começaram a alegrar-se. Lucas
15:23/24. Mais tarde, esta ideia é
reforçada quando o pai afirmou: ... mas
era justo alegrarmo-nos e
folgarmos... (vr.32).
Quem não se alegrou foi o outro filho.
Considerava-se melhor que o seu irmão. Considerava-se bem comportado. No
entanto era invejoso, vaidoso da sua conduta, mostrando-se ressentido e sem
pingo de amor fraternal. (vr.28/30). Comparando-o com o irmão aventureiro,
esbanjador e dissoluto, qual o pior de ambos? Não sei. É que há pecadores, que
são pecadores porque pecam. E há pecadores, que são pecadores porque julgam que
não são pecadores.
Aquele irmão caseiro e “cumpridor” era parecido com os
fariseus fundamentalistas, conservadores, ciosos de si
mesmos, julgando-se superiores aos outros. Hipócritas lhes chamou Jesus, condenando-os
severamente, como pode ler-se em Mateus 23.
Ah, como eu gosto deste Jesus
tão positivamente subversivo, inovador, frontal e, relativamente à religião,
obviamente marginal! Tão distante e distinto dos religiosos (escribas e
fariseus de então... e de hoje!) tradicionalistas, literalistas,
legalistas, puritanos, pietistas. Por ser diferente
deles, e por denunciá-los, Jesus foi odiado pelos tais, foi rejeitado e
perseguido. Diziam que Ele era comilão e beberrão, amigo de publicanos
e de mulheres da má vida, transgressor da lei sagrada do Sábado, e do jejum Marcos
2:18/22, Marcos
3:1/4, Marcos
7:1/22 além de outros cerimoniais.
Mas Jesus trouxe ALEGRIA! A alegria, nomeadamente,
nesta estória, quando alguém cai em si e muda de vida
Lucas
15:17/24.
Mas ainda há tantos cristãos tristonhos, inibidos,
recalcados, preconceituosos. Cristãos que não gostam de festas, não gostam de
cantar, de dançar, de comer e beber e folgar, não gostam de conviver! Não são
nada como Jesus foi. Nem como ele ensinou através deste estória.
Que pena!