Abuso
Espiritual (AX) (1) - Parte 2
“Não
Toqueis nos Meus Ungidos”
(Atenção: O material a
seguir destina-se à leitura de pessoas maduras e pode ser profundamente
perturbador à grande maioria dos leitores. O autor recomenda grande discrição no
uso deste material e na exposição do mesmo)
INTRODUÇÃO
A vasta maioria
dos membros das assim chamadas “igrejas evangélicas” de todos os matizes –
sejam protestantes, evangélicas propriamente ditas, pentecostais,
carismáticas e da terceira onda – já tiveram a oportunidade, em um ou outro
momento, de presenciar um pastor, presbítero, missionário, evangelista,
apóstolo, profeta ou algo que o valha, subir ao púlpito de uma comunidade
qualquer e mandar ver um sermão acerca de não
toqueis nos meus ungidos. Junto com o sermão, bastante impróprio,
diga-se de passagem, vem um besteirol que beira
realmente às raias do ridículo.
Estes sermões
são todos motivados pelo conceito errado e realmente perverso de que aqueles
que servem ao Senhor nas funções de pastor, presbítero, missionário,
evangelista, apóstolo ou profeta etc, são realmente
“servos especiais” que pertencem a uma categoria que é distinta de todos os
outros crentes. Como “servos especiais”, estas pessoas, pois existem homens e
mulheres nesta categoria, imaginam que estão acima de qualquer tipo de crítica
e que podem mandar e desmandar na Igreja do Senhor, porque, segundo eles
mesmos, o Senhor lhes concedeu poder e autoridade “especiais”. Por este motivo
todo e qualquer criticismo, não importa a intenção, será confrontado
vigorosamente através de vários mecanismos entre os quais se encontra o
famigerado sermão acerca de não toqueis nos meus
ungidos.
Mas existem
mesmo pessoas especiais para Deus? Existem mesmo pessoas que recebem um batismo com o Espírito Santo que é mais poderoso do que o batismo com o Espírito Santo que veio sobre todos os outros
cristãos? Existe realmente uma unção que é maior, melhor, mais poderosa do que
a unção com que o próprio Deus ungiu a todos os crentes no Senhor Jesus Cristo?
Outro dia o
autor tomou conhecimento de que um falso mestre que atende pelo nome de Benny Hinn, declarou ter visitado
os túmulos de duas mulheres (2) fundadoras de
igrejas cristãs do passado e que “coletou”, para si
mesmo, “a poderosa unção” que ainda se encontrava naqueles túmulos cheios de
pessoas mortas. Não duvido que ele tenha realmente “coletado”
alguma coisa, mas certamente o que ele coletou não
tem nada a ver com o Espírito Santo de Deus. Este patético senhor e todos seus
seguidores, e não são poucos, estão realmente fora de sintonia com o Deus da
Bíblia e com a própria Bíblia como espero demonstrar neste artigo. Quando
confrontado por tais práticas estranhas e realmente abusivas o senhor Benny Hinn reagiu com as seguintes
palavras: “Se você falar mal de mim, ou contra a unção que está em mim e no meu
ministério, seus filhos irão sofrer as conseqüências”.
Quão longe este tipo de atitude se encontra do verdadeiro ensino dos Evangelhos
fica a critério do leitor decidir. Antes que qualquer leitor desavisado, resolva me escrever com argumentos do tipo “não devemos
julgar”, sugiro que leia outro artigo publicado também neste site cujo título é
Cristão Pode Julgar?
(AX), onde tratamos deste assunto.
Mas como
conseguimos chegar neste nível de desarranjo espiritual onde um homem que alega
ser pregador da palavra de Deus age como um verdadeiro seguidor do espiritismo kardecista e procura recolher pretensas unções em cemitérios?
Tudo isto acontece por um simples, mas poderoso fato, que pode ser assim
representado: existem algumas pessoas que se arvoram ares de super-crentes ao
mesmo tempo em que existem também, milhares de outras pessoas que estão
dispostas a acreditar e seguir os super-crentes a qualquer custo, achando que
com isto estão seguindo no caminho de Deus. O autor deseja dizer aqui com todas
as letras, apenas que: NÃO EXISTEM SUPER-CRENTES. Tudo
o mais será dito no restante deste artigo.
I. Os
Abusadores
Abuso espiritual, pode parecer estranho, é um estado de coisas amplamente
denunciado nas páginas das nossas Bíblias. No passado, durante os dias do
Antigo Testamento, Deus levantou inúmeros profetas para denunciarem este tipo
de perversidade. No Novo Testamento, o próprio Senhor Jesus tomou uma boa
porção do Seu ministério para denunciar e confrontar aqueles que abusam
espiritualmente de outras pessoas. Por estes motivos nós faremos muito bem em
ouvir o que eles têm a dizer acerca dos desmandos e abusos que percebemos nos
dias de hoje, da parte de homens e mulheres que são extremamente ágeis e
rápidos em se proteger debaixo da couraça representada pela expressão não toqueis nos meus ungidos.
A. O
Profeta Ezequiel
A passagem de Ezequiel
34:1/6 é certamente a que melhor descreve, no Antigo Testamento, o assunto
que é objeto deste artigo, a saber: Abuso Espiritual.
1 Veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo:
2 Filho do homem, profetiza
contra os pastores de Israel; profetiza e dize-lhes:
Assim diz o SENHOR Deus: Ai dos pastores de Israel que se apascentam
a si mesmos! Não apascentarão os pastores as ovelhas?
3 Comeis a gordura, vestis-vos da lã e degolais o cevado;
mas não apascentais as ovelhas.
4 A fraca não fortalecestes, a doente não curastes, a
quebrada não ligastes, a desgarrada não tornastes a trazer e a perdida não
buscastes; mas dominais sobre elas com rigor e dureza.
5 Assim, se espalharam, por não haver pastor, e se
tornaram pasto para todas as feras do campo.
6 As minhas ovelhas andam desgarradas por todos os montes
e por todo elevado outeiro; as minhas ovelhas andam espalhadas por toda a
terra, sem haver quem as procure ou quem as busque.
Nesta passagem
nós encontramos a palavra do Senhor vindo até o profeta Ezequiel lhe ordenando
que profetize contra os pastores de Israel.
Por esta expressão, como fica evidente pelo contexto, devemos entender que o
profeta não está se referido literalmente a pastores de ovelhas, e sim a todos
os líderes da nação de Israel. Ele dirige suas palavras aos magistrados e aos
príncipes, aos levitas e aos sacerdotes i.e. a todos aqueles que tinham a
responsabilidade de cuidar do povo de Deus. De zelar sobre o povo de Deus, de
protegê-lo e de não explorá-lo.
Através do
profeta Ezequiel é o próprio Deus quem tem algo a dizer a estes líderes. E Deus
fala de uma posição privilegiada já que Ele mesmo é reconhecido como o pastor
por excelência sobre seu povo – ver Salmos
80:1. E como pastor sobre Seu povo, Deus é louvado, de forma magistral por Davi no Salmo
23 que começa exatamente com as palavras O SENHOR é o meu Pastor, nada me
faltará! Fala o Deus-pastor de Israel e
diz: “Ai dos pastores de Israel”! E nesta expressão nós encontramos uma
vibrante contradição entre como aqueles homens se viam e como o Deus-pastor os via. Como iremos perceber os problemas
causados por pastores abusadores, existem desde os tempos mais antigos.
Pastores, como
líderes, gostam de pensar de si mesmo como pessoas diferenciadas, acima das
outras pessoas. Gostam de se ver como sendo “especiais”, como super-crentes.
Apesar de gostarem de se ver desta maneira, Deus não está nem por um segundo
interessado em participar no jogo deles. Suas palavras são de condenação
absoluta desde o começo: “Ai dos pastores de Israel”. Aqueles homens achavam
que as posições que ocupavam eram tão dignificadas que os tornavam,
automaticamente, isentos e imunes a toda e qualquer forma de crítica. Não
entendiam que as posições que ocupavam, bem como as funções que executavam,
realmente, não os isentavam de ter que admitir seus erros, de ter que confessar
seus pecados e de sofrer as graves conseqüências
dos juízos de Deus, caso não se arrependessem. Esta palavra realmente dura
da parte do Senhor é motivada pelo fato de que os pastores não são “donos” do
rebanho de Deus e por este motivo não podem tratar o rebanho de Deus de
qualquer maneira e muito menos de maneiras que sejam abusivas. Pastores, como
diz o apóstolo Pedro, não passam de cooperadores submetidos ao Senhor Jesus que
é chamado de Supremo pastor – ver I
Pedro 5:4. O motivo porque o Senhor usa tão duras palavras foi expresso de
forma perfeita pelo profeta Jeremias quando diz: Ai
dos pastores que destroem e dispersam as ovelhas do meu pasto! — diz o
SENHOR – Jeremias
23:1. Porque somos ovelhas do pasto do Senhor, é que Ele se mostra tão
aborrecido quando somos maltratados por aqueles que deveriam realmente cuidar
de nós. Todos aqueles que são chamados, pelo SENHOR, para ajudar a cuidar das
ovelhas do Seu pasto, vejam bem como procedem porque Deus não se agrada de
tolos – ver Eclesiastes 5:4! Conforme podemos ver neste texto de
Ezequiel, Deus irá sempre tratar com firmeza aqueles que não viverem à altura
dos compromissos assumidos como pastores e servos a serviço do povo de Deus.
Ezequiel,
falando em nome do Deus-Pastor de Israel, confronta
os pastores dos seus dias de várias maneiras.
1. Em primeiro
lugar existe a pergunta mais básica que precisa ser respondida e que é: por que
existem pastores? A resposta nos vem através de uma pergunta feita pelo
profeta: Não apascentarão os pastores as ovelhas? Pastores existem,
primariamente, para apascentar as ovelhas. Para cuidar das ovelhas. E devem
executar estas funções sem condenar e sem brutalizar as ovelhas. Usando uma
linguagem bastante direta, o profeta acusa os
pastores de estarem cuidando de si mesmos em vez de estarem cuidando das
ovelhas: Ai dos pastores que
se apascentam a si mesmos. Ezequiel
34:2 Como se não fosse terrível o bastante ignorarem as necessidades das
ovelhas por estarem por demais ocupados consigo mesmos, estes pastores ainda
tratavam as ovelhas com extrema brutalidade, pois o profeta diz: Comeis a gordura, vestis-vos da lã e
degolais o cevado; mas não apascentais as ovelhas Ezequiel
34:3 e dominais sobre elas com rigor e dureza. Ezequiel
34:4 O interesse daqueles pastores estava muito mais nos benefícios materiais
que poderiam receber das ovelhas – carne, gordura, lã - do que nos benefícios
espirituais que poderiam e deveriam repartir no cuidado do rebanho. Para
Ezequiel, o interesse daqueles pastores não estava centrado no chamado de Deus
e no pastoreio e sim no poder e no controle que exerciam sobre as ovelhas.
2. Em segundo
lugar existe a triste constatação de que os pastores estavam negligenciando por
completo suas responsabilidades, mesmo as mais básicas. O profeta diz: A fraca não fortalecestes, a doente não
curastes, a quebrada não ligastes, a desgarrada não tornastes a trazer e a
perdida não buscastes. Ezequiel
34:4 Mas que situação tão terrível! Por que estes homens agiam assim desta
maneira? Além da absoluta falta de interesse verdadeiro pelas ovelhas, eles
agiam desta maneira em parte por ignorância e em parte por preguiça. O
despreparo dos pastores é notório e a preguiça de muitos deles também. Deixa o
rebanho pra lá, dizem. O rebanho só me interessa pelo
que posso conseguir dele, o resto é realmente irrelevante. Pensam e agem assim
porque sabem que o povo os tem em alta estima e ninguém vai realmente querer peitar o “ungido do Senhor”.
3. O resultado direto deste descaso e ignorância
não demora a ser sentido. Ovelhas sem cuidados pastorais e maltratadas tendem a
se espalhar, por não haver pastor, e acabam por tornar-se pasto para todas as
feras do campo. Este é o triste fim de todas as situações de abuso espiritual
que encontramos, mesmo nos dias de hoje: ovelhas dispersas, abandonadas e sendo
devoradas por todos os tipos de “feras”. O profeta constata, em nome do Deus-Pastor de Israel, esta triste realidade ao dizer: As minhas ovelhas andam desgarradas
por todos os montes e por todo elevado outeiro. Ezequiel
34:5. Ovelhas abusadas só conseguem resistir até certo ponto. Algumas
chegam mesmo a morrer dentro do próprio redil – a comunidade local que chamamos
de igreja. Outras, não agüentando mais os abusos,
preferem abandonar o redil. E os pastores demonstram algum tipo de preocupação?
As palavras de Ezequiel estão repletas de desconsolo neste quesito: as minhas ovelhas andam espalhadas
por toda a terra, sem haver quem as procure ou quem as busque. Ezequiel
34:6. A triste conclusão a que chegamos ao analisar este texto é a mesma de
muitos irmãos que têm nos procurado para nos dizer: melhor ficar sem pastor, do
que sob os cuidados, ou melhor, a falta de cuidados, deste tipo de pastores denunciados
pelo profeta.
Não podemos
ignorar que os pastores abusadores, não desistem de seus atos
de abuso, mesmo quando as ovelhas saem dos seus redis. Estes abusadores
perseguem as ovelhas, visando trazê-las de volta à situação terrível da qual
haviam escapado. Quando encontram resistência por parte da ovelha que saiu, a
atitude dos abusadores é, como o leitor já sabe, mais abuso. Falsas
acusações de insubordinação, de insubmissão e falta de
consagração a Deus são apenas o começo. Visando intimidar a “ovelha
desgarrada”, pastores abusadores partem para os mais baixos tipos de
manipulação que incluem: dizer que a “ovelha desgarrada” nunca foi
verdadeiramente crente, ou pior, dizer que a “ovelha desgarrada” vai direto para o inferno. Depois, com a cara lavada, estes
abusadores sentem-se livres para afirmar que suas igrejas são igrejas que
“cuidam realmente” das pessoas e ninguém poderá dizer que não tentaram trazer a
ovelha desgarrada de volta.
Mas é
interessante notar, que nestes encontros, que visam à reconciliação, não
existe, por parte dos abusadores, nem uma palavra de admissão de erros
cometidos. Como são os “ungidos do Senhor” estão muito acima até mesmo da
possibilidade de cometerem o menor pecado. Afinal eles ensinam, que pastores,
não cometem erros nem pecados e não precisam nunca pedir perdão. E quando
apertados, costumam sacar, sem a menor cerimônia, seu
texto favorito que diz: Não toqueis nos meus
ungidos! São realmente patéticos nestas horas.
A verdade que
muitas vezes resistimos em reconhecer, e pessoas abusadas sentem esta
dificuldade de uma maneira muito mais aguda, é que existem muitos homens, mas muitos mesmos, que se intitulam
pastores, são até mesmo ordenados, mas que na realidade não são pastores de
verdade. Não possuem chamado, não se submetem ao Senhorio de Jesus e não se
dispõe ser aquilo que devem ser: servos, a serviço do
povo de Deus. Muitos hoje estão no ministério apenas por interesses financeiros
e comerciais. Como “ser pastor” se tornou em apenas mais uma profissão, o pastor-abusador fará de tudo que estiver ao seu alcance
para não perder sua “boquinha”.
B. O
Senhor Jesus e os Falsos Pastores
Nos dias em que
andou por este mundo, o Senhor Jesus foi um ferrenho adversário dos falsos
pastores. Jesus se opôs abertamente contra todos aqueles que, chamando-se
pastores, se ocupam realmente somente consigo mesmos e abandonam o rebanho
completamente. A situação do povo de Israel nos dias de Jesus não era nem um
pouco diferente daquela que encontramos nos dias do profeta Ezequiel. O evangelista
Mateus nos diz que: Vendo ele – Jesus - as multidões, compadeceu-se delas,
porque estavam aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor
– Mateus
9:36”.
O encontro
frontal entre Jesus e os falsos pastores de Israel dos seus dias, será
discutido na parte 3 desta série.
II.
“Não Toqueis nos Meus Ungidos”
Conforme
mencionamos anteriormente, pastores abusadores gostam de pensar acerca de si mesmos, como sendo
super-crentes. Gostam de pensar acerca de si mesmos como pertencendo a uma
casta realmente separada e distinta de todos os outros irmãos. Dentro desta
visão costumam, por um lado, torcer textos bíblicos para beneficiá-los e por
outro lado inventam uma série de normas que são colocadas em prática tão logo
são questionados ou se sentem ameaçados. É importante que deixemos bem claro
que na grande maioria das vezes, este sentimento de que estão sendo
ameaçados, é completamente irracional. Vamos primeiro ver os textos
favoritos dos pastores abusadores quando o assunto é a auto-defesa deles, e em
seguida, veremos algumas das normas mais comuns implementadas em suas defesas.
Não podemos nunca nos esquecer que todos os recursos utilizados pelos pastores
abusadores visam não deixar nenhuma dúvida na cabeça de nenhuma pessoa acerca
de quem realmente manda!
A. Os
Textos Bíblicos Favoritos dos Pastores Abusadores
Os pastores
abusadores gostam de se ver como pertencentes a uma classe toda especial de
pessoas. Uma das maneiras favoritas de se descreverem é atribuir a si mesmos o
pomposo título de “ungido do Senhor”. Com isto querem dizer que são objetos de uma unção toda especial da parte de Deus. Esta
“unção” possui verdadeiro poder mágico de transformá-los em super-crentes. Como
tais, estão imunes de cometer os mesmos erros que todos nós estamos sujeitos a
cometer. Como não cometem erros, não têm nada acerca do que devem pedir perdão.
Como não cometem erros nem pecados, são também inatacáveis e não podem sofrer
nenhum tipo de crítica ou censura. Qualquer pessoa que ouse criticá-los ou
condená-los por práticas abusivas será severamente tratada.
Mas vamos
considerar, por breves instantes, o mito de que a expressão não toqueis
nos meus ungidos diz respeito aos pastores abusadores. Mitos nada
mais são do que palavras que assumiram um significado diferente daquele que lhe
foi atribuído pelo autor original. O mesmo é verdade com o mito criado em torno
da expressão não toqueis
nos meus ungidos, como podemos perceber pela evidência a seguir.
1. A expressão
“ungido do Senhor” é bíblica e ocorre exatas oito
vezes no texto hebraico do Antigo Testamento. Seis destas oito menções fazem
referência ao rei Saul. Uma faz referência ao Rei Davi
e uma diz respeito ao Ungido do Senhor como aguardado pelo profeta Jeremias. As
menções aos reis Saul e Davi,
deixam bem claro que os ungidos do Senhor não eram homens imunes nem a erros,
nem a críticas e muito menos à disciplina por parte do Senhor. Ver a lista
completa de versículos que trazem a expressão “ungido do Senhor” no final deste
artigo.
2. A expressão “teu ungido” é também bíblica e ocorre seis vezes no texto
hebraico do Antigo Testamento. Destas seis, uma diz respeito ao rei Davi e todas as outras ao Ungido como esperado pelo povo de
Israel. Novamente a referência ao rei Davi é um claro
indicativo que o “ungido do Senhor” era alguém passível de cometer erros, de
sofrer críticas e, no caso específico de Davi, de
sofrer graves conseqüências por pecados cometidos.
Ver a lista completa de versículos que trazem a expressão “teu ungido” no final
deste artigo.
3. A expressão
“meu ungido”, da mesma forma que as duas anteriores, é bíblica e ocorre duas
vezes no texto hebraico do antigo testamento. As duas referências dizem
respeito ao Messias ou Ungido como esperado pelo povo de Israel. Ver a lista
completa de versículos que trazem a expressão “meu ungido” no final deste
artigo.
4. Por sua vez,
a expressão “seu ungido”, ocorre onze vezes no texto hebraico do Antigo
Testamento e uma única vez no texto grego do Novo Testamento. Estas onze
referências estão assim distribuídas:
·
5 vezes fazem referência ao Ungido como o esperado
Messias de Israel.
·
3 vezes fazem menção a Saul.
·
1 vez diz respeito à Eliabe,
irmão de Davi.
·
2 vezes a citação é referente ao rei Davi.
·
1 vez ao imperador dos Medos, Ciro.
Desta maneira
fica fácil notar que quando não se refere ao Ungido que representa o Senhor
Jesus, os textos falam de homens que foram tão pecadores como qualquer um de
nós. A unção para ser rei sobre o povo de Israel, conferida a Saul e a Davi, não era nenhuma garantia de que aqueles homens
estavam imunes do poder do pecado, ou que não poderiam ser criticados e que
estariam completamente isentos da disciplina de Deus. Ver a lista completa de
versículos que trazem a expressão “seu ungido” no final deste artigo.
5. Por fim
restam as duas referências que trazem de forma explícita a expressão não toqueis nos meus ungidos.
Estas referências são:
·
I
Crônicas 16:22 dizendo: Não toqueis nos meus ungidos, nem maltrateis os meus
profetas.
Salmos
105:15 dizendo: Não
toqueis nos meus ungidos, nem maltrateis os meus profetas.
Antes de
analisarmos estes versículos é necessário dizer que os mesmos são idênticos e
isto por um bom motivo. O verso de I Crônicas é parte
de uma compilação de Salmos que se estende do verso 7 até o verso 36 do
capítulo 16 de I Crônicas. Esta compilação contém
partes dos salmos 96, 105 e 106.
Conforme
dissemos, os dois versículos são idênticos, portanto, a interpretação de um
servirá como interpretação para o outro também. A questão mais importante para
nós, neste momento, é definir acerca de quem o salmista está falando? Quem são
os ungidos do Senhor? O contexto deixa isto bem claro, e por ele nós podemos
ter certeza absoluta quem são as pessoas a quem o Senhor se refere como sendo
os “ungidos do Senhor” e de “meus profetas”. Salmos 105:8/15 diz o seguinte:
8
Lembra-se perpetuamente da sua aliança, da palavra que empenhou para mil
gerações;
9 a aliança que fez com Abraão e do juramento
que fez a Isaque;
10
o qual confirmou a Jacó
por decreto e a Israel por aliança perpétua,
11
dizendo: Dar-te-ei a terra de Canaã
como quinhão da vossa herança.
12
Então, eram eles em pequeno número, pouquíssimos e forasteiros nela;
13
andavam de nação em nação, de um reino para outro
reino.
14
A ninguém permitiu que os oprimisse; antes, por amor deles, repreendeu a
reis,
15
dizendo: Não toqueis nos meus ungidos, nem
maltrateis os meus profetas.
O texto é
absolutamente cristalino. Aqueles que são chamados de “ungidos do Senhor” e de
“meus profetas” são os descendentes de Abraão, Isaque
e Jacó. São os Israelitas. Todos e cada um deles.
Ninguém que pertença verdadeiramente ao povo de Israel é deixado de fora.
Portanto, como
dissemos, o mito de que os pastores constituem-se em os “ungidos do Senhor”,
como uma casta distinta e superior a todos os crentes, não passa realmente de
uma invencionice perversa cujo único propósito é munir homens perversos com
mecanismos que os possibilitem abusar de suas ovelhas. Precisamos retornar, de
maneira urgente, ao padrão bíblico do pastor-servo à
imitação do próprio Senhor Jesus.
B. O
Ensino do Novo Testamento Acerca de Termos Sido Ungidos por Deus
O Novo
Testamento ensina exatamente a mesma coisa que é
ensinada no Antigo Testamento. Todos os que pertencem ao Povo de Deus foram
ungidos pelo próprio Deus. Todos os crentes verdadeiros, sem exceção recebem uma e rigorosamente a mesma unção. Não
existem cristãos mais ungidos que outros cristãos. E, definitivamente, não
existem “ministérios ungidos” e muito menos esta figura preconizada por falsos
mestres, como Benny Hinn,
de que é possível possuir “uma unção” específica, distinta da única unção
disponível a todos os cristãos.
O texto de II
Coríntios 1:21/22 diz: Mas
aquele que nos confirma convosco em Cristo e nos ungiu é Deus, que
também nos selou e nos deu o penhor do Espírito em nosso coração. Estes
dois versos ensinam claramente que só existe uma unção e que todos os
cristãos são participantes desta unção, pois o repartir da mesma é um ato do
próprio Deus.
Quando Paulo diz
que Deus nos ungiu, ele está dizendo que todos nós que somos genuinamente
cristãos, fomos ungidos diretamente
pelo próprio Deus. Nas tradições judaicas era costumeiro a unção de reis,
profetas e sacerdotes quando do início do exercício das suas funções. Isto pode
ser observado em Êxodo
28:41 e Êxodo
40:15 com relação aos sacerdotes; em I
Reis 9:16 e Isaías
61:1 com relação aos profetas e em I
Samuel 10:1; I
Samuel 15:1; II
Samuel 2:4 e
I
Reis 1:34 com relação aos reis de Israel. A palavra “ungido” é também usada
para se referir, de modo todo especial, ao Senhor Jesus que é chamado de: Ungido (português) = Cristo (grego) = Messias
(hebraico). Jesus é o ungido por excelência de Deus já que Ele possui um triplo
serviço como Rei, Profeta e Sacerdote. A expressão ungido
também é usada para se referir a todos os crentes e indica que os mesmos são
consagrados ou separados para o serviço de Deus pelo Espírito Santo. É por
causa desta separação ou consagração, que somos chamados e considerados santos
por Deus. O apóstolo João disse em I
João 2:20: E vós
possuis unção que
vem do Santo e todos tendes conhecimento. A conseqüência
desta unção na vida de todos os cristãos pode ser vista em alguns versículos
mais adiante, no mesmo texto, quando João diz: “Quanto a vós outros, a unção que dele recebestes
permanece em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a
sua unção vos ensina a respeito de todas as coisas, e é verdadeira, e não é
falsa, permanecei nele, como também ela vos ensinou. Filhinhos, agora, pois,
permanecei nele, para que, quando ele se manifestar, tenhamos confiança e dele
não nos afastemos envergonhados na sua vinda. Se sabeis que ele é justo, reconhecei
também que todo aquele que pratica a justiça é nascido dele – I
João 2:27/29 .
Assim temos que
existe somente uma unção, que todos os crentes receberam esta mesma unção e que
Deus mesmo é aquele que nos unge. Não devemos, portanto, ter medo de
desmascarar a qualquer um que pretenda ser possuidor de algum tipo especial de
unção. Unção especial só existe uma: é aquela com Deus mesmo ungiu a todos
os crentes, sem exceção! Qualquer outra
invencionice não passa de pretensão e orgulho humano querendo aparecer.
C.
Métodos e Normas que são Geralmente Utilizados por Pastores Abusadores
(O autor deseja advertir novamente
aos leitores de que o material a seguir contém informações que podem não ser
agradáveis à grande maioria das pessoas.)
Pastores que
abusam dos seus rebanhos seguem, normalmente, uma série comum de métodos e
normas, visando estabelecer seu poder, domínio e controle absoluto sobre o povo
de Deus. Entres estes métodos e normas podemos
destacar as seguintes como sendo as mais comuns:
1. Pastores
abusadores são extremamente defensivos quanto aos seus feudos particulares
e tendem a agir de uma forma que é sempre abusiva quando se trata de defender
seus próprios interesses. Os interesses pessoais de pastores abusadores estão,
sempre, acima de quaisquer outros interesses. Não existe nenhum tipo de
consideração cristã que possa intervir quando o que está em jogo for o interesse
pessoal de algum pastor abusador. Em poucas palavras podemos dizer que para
defender seus interesses vale-tudo para pastores
abusadores.
2. Uma das
características mais marcantes deste vale-tudo
mencionado no item 1 acima, é a tendência constante de usar e abusar de
passagens bíblicas, dentre as quais a favorita é: Não toqueis nos meus ungidos. Pastores
abusadores aprendem, de forma bastante rápida, a manipular a Bíblia visando
alcançar seus mais inconfessáveis propósitos.
3. Pastores
abusadores, porque possuem uma visão distorcida de si mesmos, literalmente adoram serem exaltados e tratados
com toda a honra, toda a deferência e toda a pompa e circunstância, que, em
suas mentes doentias, imaginam o “ungido do Senhor” merece.
4. Pastores
abusadores são todos aqueles que acham que os termos usados no Novo Testamento
para descrevê-los, termos como pastores, presbíteros e bispos, são realmente
títulos e indicadores de posição. Nas suas pequeninas cabeças imaginam que
os “títulos” que possuem os habilitam a dominar, governar e até reinar sobre o
povo de Deus. A estes homens falta um mínimo de inteligência para
entenderem que os termos usados no Novo Testamento são meros descritores de
função e não possuem nenhum tipo de conotação hierárquica ou de posição ou
nível. Todos os crentes, sem exceção, estão “EM
CRISTO”. Esta é a posição de todos os crentes: estamos todos “em Cristo”.
Pastores estão “em Cristo”, da mesma maneira que as ovelhas estão “em Cristo”.
Não existe nenhuma diferença posicional entre os crentes. O que existe são
funções diferentes. E a função daqueles encarregados de cuidar do rebanho de
Deus é descrita como a de alguém que cuida de ovelhas (pastor); como de alguém
que possui maturidade espiritual para ensinar, admoestar e exortar (presbítero)
e como alguém que possui a função de supervisionar o rebanho de Deus (bispo).
Como pode ser facilmente percebido as três palavras, pastor, presbítero e
bispo, são meras descritoras das funções que precisam ser executadas e não
fazem nenhuma referência a algum tipo de hierarquia que deva existir na Igreja
dos Ungidos do Senhor! Os termos que o Novo Testamento usa de pastor,
presbítero e bispo não descrevem ofícios e sim as funções que precisam ser
desempenhadas por aqueles chamados para cuidar do povo de Deus.
5. Pastores
abusadores gostam de reprovar de forma pública e privada a todos que
consideram desobedientes e insubmissos. Esta desobediência e insubmissão
não têm nada a ver com a Bíblia ou com a sã doutrina e sim com a vontade
pessoal do pastor abusador. As reprovações privadas tendem a ser bastante
desagradáveis, pois os abusadores sabem que dificilmente alguém irá acreditar
nas palavras de alguém que está rotulado de insubmisso ou desobediente. Esta
situação permite aos pastores abusadores usar os termos que bem quiserem nestas
conversas, fazer as alegações que bem entenderem por mais estapafúrdias que
sejam, levantar graves acusações por mais levianas que sejam e tirar as
conclusões que lhes forem as mais convenientes. É praticamente impossível sobreviver
em um ambiente tão hostil. Mas há muitos que continuam tentando. Somente a
eternidade irá revelar a verdadeira dramaticidade destas conversas perversas e
funestas.
6. Intimamente
associado à reprovação pública está o desprezo público ou o isolamento de
certos membros. Pastores abusadores fazem questão de deixar bem claro quem
são as pessoas que não estão lhes agradando, e por este motivo precisam ser
tratadas da maneira mais fria possível. Irmãos fracos, ao verem o pastor
colocar alguém “na geladeira”, seguem o mesmo mau exemplo e também passam a
tratar o ferido da mesma maneira. Esta é uma das situações mais insuportáveis
dentro de uma comunhão que se intitula cristã. Quando um pastor que deveria
realmente estar cuidando da ovelha ferida, vira o rosto e age como se a ovelha
não existisse, está cometendo um dos atos mais cruéis
que podem ser praticados.
7. Pastores
abusadores adoram subir nos púlpitos e disparar contra aqueles que
consideram seus desafetos. Este é sem dúvida um
dos piores atos que um pastor pode praticar: usar o
tempo que deveria ser gasto para edificar o povo de Deus para resolver
diferenças pessoais, muitas vezes com uma pessoa somente. Pastores abusadores
sabem que o púlpito é prerrogativa exclusiva deles ou de quem eles convidam, portanto,
sentem-se à vontade para maltratar as pessoas a partir daquela posição
vantajosa. Quando sobem ao púlpito para agredir a quem quer que seja, os
pastores abusadores demonstram apenas que são grandes covardes e como tais são
dignos de uma coisa somente: desprezo absoluto.
8. Se a igreja
possuir algum tipo de boletim o mesmo será usado por pastores
abusadores para destilar triplamente o mais perverso tipo de veneno do qual
se tem notícia. Este tipo de veneno intoxica a todos na igreja. Ninguém que saiba
ler fica imune desta contaminação verdadeiramente maligna.
9. Ameaças
de toda sorte são também parte do arsenal comum a todos os pastores
abusadores. Ameaças que vão desde o simples afastamento de algum
ministério, chegando até à excomunhão ou expulsão que é o termo favorito dos
abusadores neste quesito. Da pretensa, mas real, posição de autoridade, o
pastor abusador se sente perfeitamente confortável para atazanar a vida de suas
ovelhas com todos os tipos de ameaças, com algumas chegando a beirar a imoralidade.
10. Pastores
abusadores costumam ensinar suas ovelhas que toda insubordinação e
desobediência é pecado grave e que este tipo de
pecado é digno das mais severas e pesadas formas de disciplina. Desta maneira,
a igreja está plenamente doutrinada e quando algo acontece todo mundo concorda
com a violência praticada. Este é realmente um ciclo vicioso muito difícil de
romper.
11. Outra
característica bastante marcante entre pastores abusadores é a adoção de dois pesos e duas medidas como norma para
o dia-a-dia. Este tipo de prática é tão comum, tratar uma mesma situação de
duas maneiras diferentes, que a vasta maioria dos crentes dos dias de hoje já
não reage a este estado de coisas. Preferem pensar que as coisas são assim
mesmo. Que não adianta lutar. Que é bobagem se
indispor. O autor entende todos estes argumentos, mas não pode deixar de chamar
de covardes a todos que observam este tipo de prática e não se manifestam pela
justiça e pela verdade! A motivação para o uso de dois pesos e duas medidas
está completamente dependente àquilo que for o interesse do pastor abusador.
São seus interesses pessoais e não a justiça e a verdade que interessam.
12. Pastores
abusivos gostam de ensinar suas ovelhas, ideias que possam causar falsos
sentimentos de culpa. Estes sentimentos, por sua vez, só podem ser aliviados
mediante um curvar-se, quase imoral, diante da vontade do pastor ou, se a
pessoa tiver condições, de polpudas contribuições. Os
que não possuem dinheiro acabam por trabalhar como verdadeiros escravos para o
pastor, sua esposa e filhos. Fazem de tudo: reforma e pintura de casas,
cozinham, lavam, passam, cuidam do jardim, das crianças, fazem faxina, limpeza
pesada, lavam carros, servem como motoristas e vai por aí afora. Pastores
abusivos sabem que uma mente bem manipulada por falsa culpa é capaz de produzir
muitas e muitas coisas.
13. Abusadores
gostam de criar panelas e grupelhos de todos os tipos dentro das igrejas.
A alguns eles estendem a mão e chamam estas pessoas de “amigos pessoais”. Este
tipo de “amizade” vai muito além daquilo que dispensam aos outros irmãos da
igreja. O resultado disto é que aqueles que são atraídos para dentro deste
círculo íntimo compartilham o “poder” com o “chefe” e isto os faz leais até à
morte, mesmo diante das maiores imoralidades que se possa ter notícia. Outros
são privilegiados com posições “honradas” e destaques especiais naqueles
ministérios que são considerados os mais “nobres”. Quanta hipocrisia é possível
existir dentro de uma igreja é realmente difícil de se aferir. Mas os
abusadores adoram tudo isto e se divertem enquanto seguem impunes. Mas o SENHOR
vê tudo e certamente haverá um severo ajuste de contas na hora apropriada.
14. Uma das
formas mais medonhas de abuso espiritual é aquilo que podemos chamar de esoterismo.
Esta é a prática mediante a qual a verdadeira natureza dos ensinamentos, da
agenda que está sendo seguida e das práticas que são adotadas
é revelada somente para os mais “chegados” ou àqueles que progridem, de
forma verdadeira, dentro do movimento a que pertencem. O autor tem tido a
oportunidade de observar inúmeras denominações, algumas históricas inclusive,
onde o verdadeiro propósito e agenda é sustentar e
manter a boa vida da classe sacerdotal ou dominante. Milhares e milhares de
“formiguinhas” trabalham como escravos e contribuem para que um pequeno grupo
tenha tudo do bom e do melhor. No dia em que estes verdadeiros “escravos” do
século XXI acordarem, e se derem conta de que não
precisam dos “faraós”, este será um verdadeiro dia de glória.
15. Amor
condicional é outro método favorito dos pastores abusadores. Só recebem amor aqueles que se enquadram
perfeitamente dentro da vontade absoluta do abusador. Todos os outros são
tratados com desdém e desprezo visível até por quem está apenas visitando o
trabalho.
16. Abusadores
exigem que qualquer pessoa que queira progredir na hierarquia que comandam,
precisa, acima de tudo, ser um excelente modelo quando o assunto é
contribuição. Posições de liderança são rigorosamente reservadas a pessoas
que podem contribuir mais financeiramente.
Diante desta
lista, verdadeiramente abominável, chega a ser ridículo perguntarmos por que as
igrejas vão mal e estão tão enfermas. A resposta não precisa ser buscada na
existência de demônios territoriais, inimigos da cruz
nem em “irmãos insubmissos”. A resposta para muitos dos males que existem na
igreja moderna passa pela qualidade da liderança existente. Passa pela triste
constatação de que os abusadores não estão preocupados com o Povo de Deus e sim
com seus próprios interesses. Se desejamos uma nova Reforma, a mesma precisa
começar, necessariamente, pela remoção de líderes abusadores e sua substituição
por verdadeiros líderes que sejam pastores-servos a
serviço do Povo de Deus.
Conclusão.
Creio que chegou
a hora de praticarmos uma verdadeira defenestração (3), espiritual é
claro, arrancando as máscaras dos pretensos “ungidos do Senhor”; virando as
costas e dando adeus aos “faraós modernos” e abandonando por completo aqueles
que se especializaram em, abusar de todos nós. O autor não tem nenhuma dúvida
que a vasta maioria dos problemas que enfrentamos na Igreja do século XXI, está
diretamente relacionada às lideranças canhestras que
se encastelaram nas posições de liderança das igrejas de todas as denominações,
o que lhes permite manter, com mão de ferro, o absoluto controle sobre o Povo
de Deus. Precisamos, urgentemente, pedir que Deus suscite uma nova geração de
pastores que possuam genuínos corações de servos. Corações que estejam
realmente no servir o povo de Deus e não em serem servidos. E, por favor, vamos
aprender de uma vez por todas, que igrejas e ministérios multimilionários, não
servem realmente aos propósitos de Deus de levar o evangelho a todas as pessoas
deste mundo.
O Que
Fazer?
O autor gostaria
de agradecer a um leitor que me escreveu e sugeriu que eu procurasse oferecer
algumas alternativas práticas às graves situações que costumo discutir em meus
artigos. Então, atendendo à sugestão recebida, aqui vão algumas atitudes
práticas para se livrar de situações de abuso espiritual.
Caso o leitor
esteja vivendo uma situação como as descritas neste trabalho, o autor gostaria
de sugerir alguns passos práticos para ajudá-lo a se livrar deste emaranhado de
coisas:
1. Saiba que
nada que será dito a seguir é fácil de ser colocado em prática devido a todos
os mecanismos de dominação e controle que existem e que estão disponíveis aos
pastores e igrejas abusadoras. Todavia, vale à pena tentar.
2. Em primeiro
lugar você precisa entender como verdade bíblica, que não existem pastores que
sejam “ungidos do Senhor” de uma forma especial. Precisa entender que você,
a simples ovelha, recebeu de Deus mesmo, uma unção que é exatamente
igual a que um pastor recebeu. Portanto não se sinta intimidado nem
amedrontado diante das ameaças. Pastores são tão mortais quanto todos nós,
mesmo que gostem de pensar de si mesmos mais do que convém – ver Romanos
12:3. Discordar de um pastor abusador pode não ser fácil, mas não trará as conseqüências anunciadas pelo abusador e seus seguidores.
3. Depois você
precisa entender que não existe uma diferença de posição quando se compara a
um pastor. A simples ovelha e o mais “exaltado” dos pastores estão exatamente na mesma posição: ambos estão “em Cristo”. Não
existe, portanto, nenhuma diferença na posição. Pastores não estão em
posições mais elevadas ao passo que as ovelhas estão em posições mais
inferiores. Isto não existe, é uma invenção de homens maldosos e
aproveitadores. Todos os crentes estão em uma e mesma posição: estamos todos EM
CRISTO. Ver Efésios
4:11/16.
4. Precisa
entender também que a mesma consideração e respeito que você deve ao irmão-pastor é exatamente a mesma
que você deve a todos os outros irmãos. Por outro lado, os pastores devem exatamente a mesma consideração e respeito a todos os irmãos,
sem exceção. Ver a lista de mandamentos de
reciprocidade no final deste artigo. Os mandamentos de reciprocidade precisam
ser praticados por todos os crentes, sejam eles ovelhas, sejam pastores. Note a
quantidade de vezes que o mandamento de amor recíproco é repetido. Lembre-se,
abuso espiritual é fruto absoluto da falta do amor de Deus na vida do abusador!
Mesmo falando em nome de Deus, pastores-abusadores
não possuem o amor de Deus em seus corações.
5. Além disso,
precisa compreender que não existe nenhuma possibilidade de diálogo com um
pastor abusador. Eles estão irremediavelmente viciados pelo poder e pelo
prazer que o abuso provoca em suas mentes. Não perca tempo tentando argumentar.
Não adianta nada. Não vale à pena. Ouça as palavras do Senhor com relação aos
abusadores dos seus dias: Deixai-os; são cegos, guias de cegos. Ora, se
um cego guiar outro cego, cairão ambos no barranco – Mateus
15:14. No terceiro estudo desta série iremos analisar o confronto de Jesus
com os abusadores de seus dias.
6. Não, você
não irá para o Inferno se decidir abandonar o redil de um pastor abusador.
Ou mesmo se decidir abandonar uma igreja abusadora. Aliás, quero recomendar que
você faça exatamente isto. Não é uma decisão fácil,
mas para seu próprio bem, quanto antes você tomar esta decisão, melhor para
você. Lembre-se, o Faraó não gostava dos judeus, mas precisava deles! O pastor
abusador não gosta de você, mas ele precisa de você. Você não precisa de nenhum
pastor abusador. De fato, sem você não existe pastor abusador. Vire as costas e
deixe ele se virar.
7. Você precisa estar
disposto a obedecer ao Senhor e a ignorar aqueles que, usando o nome do
Senhor, desejam somente escravizá-lo. Lembre-se, em todos os lugares onde o
Espírito do Senhor está existe verdadeira liberdade – ver II
Coríntios 3:17. Qualquer outra situação não passa de engodo para manter as
pessoas cativas.
8. Lembre-se
também, que na grande maioria das vezes, pastores abusadores e seus
seguidores, agem de maneira completamente irracional. Agem como verdadeiros
pit-bulls, atacando sem nenhuma justificativa
plausível. Uma das maneiras mais comuns deste tipo de irracionalidade é tratar
as pessoas como se elas não existissem. Ai! Como dói um irmão de muitos
anos, de repente, virar o rosto e fingir que você não existe! Isto é o que eu
chamo de atitude irracional. Bem, deixe-me dizer isto bem alto: NÓS NÃO TEMOS NENHUMA OBRIGAÇÃO DE NOS RELACIONAR
COM PESSOAS IRRACIONAIS! Portanto, não se acanhe, tome uma decisão
definitiva, de banir de sua vida, de uma vez por todas, estas pessoas que te
tratam desta maneira.
9. Não adianta
insistir. Falar, argumentar e até mesmo implorar não surte nenhum efeito em
pessoas irracionais. Tentar convencê-los com argumentos lógicos irá apenas
levar você à exaustão. Lidar com pessoas que agem desta maneira é estar em uma
situação onde se é impossível vencer. Então, se você não pode vencer, pra que perder tempo batalhando?
10. Faça tudo
que estiver ao teu alcance para evitar se ver aprisionado em situações em
que você não tem à mínima chance de vencer. Fuja
destas situações.
11. Procure
alguma comunhão onde você possa ter suas feridas tratadas por um verdadeiro pastor-servo. Minha convicção é que Deus, em Sua
misericórdia, ainda tem muitos homens deste calibre, espalhados por todos os lugares.
Peça a orientação de Deus. Dependa da força que o Senhor mesmo pode
suprir. Decida servir o Senhor livre de todos os impedimentos e tropeços
que pastores abusadores insistem em colocar no caminho dos filhos de Deus.
Desde a
publicação da primeira parte deste material, o autor tem recebido inúmeros
e-mails com verdadeiras histórias de horror. Histórias de manipulações
perversas, de distorções terríveis, de comportamentos inomináveis, de abusos
espirituais abomináveis. É nossa firme convicção de que o Deus verdadeiro
deseja conduzir suas ovelhas a pastos verdejantes, às águas de verdadeiro
refrigério. Talvez estes artigos sejam usados por Deus para abrir os olhos de
muitos, para que se libertem dos duros grilhões controlados por pastores e
igrejas abusadoras.
O autor gostaria
de pedir a todos os leitores que se unam a ele, em oração, ao Deus de toda
misericórdia e Pai de todas as consolações, para que nos envie tempos de
verdadeiro refrigério. Que o Senhor possa nos ajudar a reformar a igreja do
século XXI, começando pela urgente, urgentíssima, reforma das nossas lideranças
pastorais.
Apêndice
A
Passagens
Onde Ocorre a Expressão “Ungido do Senhor”
I
Samuel 24:6 - e
disse aos seus homens: O SENHOR me guarde de que eu faça tal coisa ao meu
senhor, isto é, que eu estenda a mão contra ele, pois é o ungido do SENHOR.
– SAUL.
I
Samuel 26:9 - Davi, porém, respondeu a Abisai: Não o mates, pois quem haverá que estenda a mão contra o ungido
do SENHOR - SAUL e fique inocente?
I
Samuel 26:16 - Não é
bom isso que fizeste; tão certo
como vive o SENHOR, deveis morrer, vós que não guardastes a vosso senhor, o
ungido do SENHOR - SAUL; vede, agora, onde está a lança do
rei e a bilha da água, que tinha à sua cabeceira.
I
Samuel 26:23 - Pague,
porém, o SENHOR a cada um a sua justiça e a sua lealdade; pois o SENHOR te
havia entregado, hoje, nas minhas mãos, porém eu não quis estendê-las contra o
ungido do SENHOR – SAUL.
II
Samuel 1:14 - Davi lhe disse: Como não temeste estender a mão para matares o ungido do
SENHOR? – SAUL.
II
Samuel 1:16 - Disse-lhe
Davi: O teu sangue seja sobre a tua cabeça, porque a
tua própria boca testificou contra ti, dizendo: Matei
o ungido do SENHOR - SAUL.
II
Samuel 19:21 - Então,
respondeu Abisai, filho de Zeruia,
e disse: Não morreria, pois, Simei por isto, havendo
amaldiçoado ao ungido do SENHOR? – DAVI.
Lamentações
4:20 - O fôlego da
nossa vida, o ungido do SENHOR, foi preso nos forjes
deles; dele dizíamos: debaixo da sua sombra, viveremos entre as nações.
Apêndice
B
Passagens
Onde Ocorre a Expressão “teu ungido”
II
Crônicas 6:42 - Ah!
SENHOR Deus, não repulses o teu ungido; lembra-te das
misericórdias que usaste para com Davi, teu servo.
Salmos
84:9 - Olha, ó Deus, escudo
nosso, e contempla o rosto do teu ungido.
Salmos
89:38 - Tu, porém, o repudiaste
e o rejeitaste; e te indignaste com o teu ungido.
Salmos
89:51 - com que, SENHOR, os teus inimigos têm
vilipendiado, sim, vilipendiado os passos do teu ungido.
Salmos
132:10 - Por amor de Davi,
teu servo, não desprezes o rosto do teu ungido.
Habacuque 3:13 - Tu sais para salvamento do teu povo, para salvar o teu ungido;
feres o telhado da casa do perverso e lhe descobres
Apêndice
C
Passagens
Onde Ocorre a Expressão “meu ungido”
I
Samuel 2:35 - Então, suscitarei
para mim um sacerdote fiel, que procederá segundo o que tenho no coração e na
mente; edificar-lhe-ei uma casa estável, e andará ele diante do meu ungido para
sempre.
Salmos
132:17 - Ali, farei brotar
a força de Davi; preparei uma lâmpada para o meu
ungido.
Apêndice
D
Passagens
Onde Ocorre a Expressão “seu ungido”
I
Samuel 2:10 - Os que contendem com o SENHOR são
quebrantados; dos céus troveja contra eles. O SENHOR julga as extremidades da
terra, dá força ao seu rei e exalta o poder do seu ungido.
I
Samuel 12:3 - Eis-me aqui, testemunhai contra mim perante
o SENHOR e perante o seu ungido: de quem tomei o boi? De quem tomei o jumento?
A quem defraudei? A quem oprimi? E das mãos de quem aceitei suborno para
encobrir com ele os meus olhos? E vo-lo restituirei.
I
Samuel 12:5 - E ele lhes disse:
O SENHOR é testemunha contra vós outros,
e o seu ungido é, hoje, testemunha de que nada tendes achado nas minhas mãos. E
o povo confirmou: Deus é testemunha.
I
Samuel 16:6 - Sucedeu que, entrando eles, viu a Eliabe e disse consigo:
Certamente, está perante o SENHOR o seu ungido.
I
Samuel 26:11 - O SENHOR me guarde de que eu estenda a mão
contra o seu ungido; agora, porém, toma a lança que está à sua cabeceira e a
bilha da água, e vamo-nos.
II
Samuel 22:51 - É ele quem dá grandes vitórias ao seu rei e
usa de benignidade para com o seu ungido, com Davi e
sua posteridade, para sempre.
Salmos
2:2 - Os reis da terra se levantam, e os
príncipes conspiram contra o SENHOR e contra o seu Ungido, dizendo:
Salmos 18:50 - É ele quem dá grandes vitórias ao seu rei e usa de benignidade para com o seu ungido, com Davi e sua posteridade, para sempre