IVG – Conceito do aborto no Islão (YA)
O
Islão valoriza a vida humana. Isto é expresso claramente no Sagrado Alcorão,
quando nos diz que aos olhos de Deus, matar um ser humano é um assunto muito
sério (Alcorão 5:32).
O Alcorão ensina que no Dia do Juízo os
pais que mataram os seus filhos serão julgados por esse crime, e os seus filhos
serão as suas testemunhas de acusação (Alcorão 81:8/9).
As pessoas temem frequentemente que ter
mais filhos os torne mais pobres. Respondendo a isso, o Alcorão diz: Não mateis os vossos filhos por medo da pobreza. Nós
providenciaremos para vós e para eles (Alcorão 17:31). Mesmo no caso em
que já se é pobre, o Alcorão insiste que Deus fornecerá sustento para nós e
para os nossos filhos, tanto mais que Deus tornou a vida humana sagrada (Alcorão
6:151).
O direito à vida é uma dádiva de Deus.
Nenhum ser humano deve tirar esse direito. A regra geral, por isso, é que o
aborto não é permitido no Islão.
No entanto, o Islão é uma religião muito
prática. Inclui princípios para lidar com casos excepcionais. Um desses
princípios é que, quando a gravidez ameaça a vida da mãe, pode-se realizar o
aborto. Embora as vidas da mãe e da criança sejam ambas sagradas, neste caso é
melhor salvar a vida principal, a vida da mãe. Mesmo neste caso, será melhor se
o aborto for feito antes da alma entrar no feto.
O Islão não permite o aborto em outros
casos. Mulheres que foram vítimas de violação ou incesto naturalmente que
merecem simpatia e ajuda. Mas uma criança concebida desta maneira infeliz tem
direito a viver. Claro que isto coloca um fardo indesejável na mãe, mas matar a
criança não é a solução certa.
Para entender melhor este ponto,
suponham que alguém vê as camadas mais pobres da sociedade como um fardo
indesejável para os ricos. Seria então correcto matar todos os pobres? Claro
que não. Então porque é que alguém pode decidir que uma pessoa seja morta só
porque é um fardo indesejável? A sociedade como um todo deve ajudar a mãe e
aliviá-la o mais possível. Mas a criança não deve ser morta. Mais ainda, o
facto de que tais casos acontecem é uma indicação de que as pessoas necessitam
desesperadamente de alimento espiritual. Elas necessitam dos ensinamentos
espirituais que as ajudarão a afastar a sua mente do adultério, violação e
incesto. As pessoas necessitam de Deus. Podereis ajudar alguém a voltar-se para
Deus?
Lisboa, Janeiro de 2007